sábado, 13 de junho de 2020
Preferências poéticas
Eu aprecio os poemas
com rumor de cachoeiras que cantam
que até as pedras mais ásperas
são suavizadas pela leveza das águas.
Eu gosto de poemas de cantigas de passarinhos
cantadas e aperfeiçoadas de geração em geração
nos galhos das fruteiras carregadas
e nem precisam ser poemas
com as palavras rimadas.
Eu prefiro os poemas que tresandam
a cheiro de capim orvalhado
às margens de um caminho
que não tem outra serventia
senão ligar-nos com o passado.
domingo, 7 de junho de 2020
Aonde nós vamos?
Floresta Amazônica, cerrados,
manguezal bercário das tainhas,
crustáceos, celenterados,
zangões, abelhas rainhas,
onças pintadas, pacas,
elefantes paquidérmicos,
algas clorófitas, cracas,
águias, seres estratosféricos,
acarás, tamanduás bandeira,
homens, mulheres, a criação inteira,
que há milhões de anos viajamos juntos
na translação de 108.000 km/hora,
calma que estamos chegando lá,
a leste já se vê a aurora.
domingo, 24 de maio de 2020
Poema de domingo
Eu sei, desde os tempos de menino,
que a gente vive por teimar,
pois quem nasce à beira-mar
tem o destino escrito na areia
e se a onda vem e apaga tudo,
e se não der peixe na linhada,
e se vier pouco peixe no espinhel
ainda tem a rede armada
no pesqueiro do parcel.
Este mar está cheio de vida,
(mas já teve mais!)
este mar ainda é generoso
(mas já foi mais!)
Quando a gente chegava da pescaria
Quando a gente chegava da pescaria
com uma fieira de peixes na mão,
vovó nos abençoava e dizia:
"Quando Jesus andou no mundo
procurando seguidores,
escolheu os melhores
no meio dos pescadores."
domingo, 17 de maio de 2020
Fé e obras
Toda montanha começou colina,
Marco Polo na estrada
achou o caminho da China,
foi menino o gigante Adamastor,
Bartolomeu de Gusmão foi padre
e tornou-se homem-voador,
de tijolo em tijolo se faz mil casas,
antes a gente não tinha
e Santos Dumont nos deu asas,
se uma árvore inteirinha
cabe em uma semente,
imagina a potência da alma
que está dentro da gente?
Poema dos tempos difíceis
Que as borboletas alegrem
as entrelinhas de toda as palavras,
que brotem também margaridas
no meio de todas as lavras.
Da mesma maneira
que um produto não vale pela embalagem,
não importa a prosa das pessoas,
o que vale são as poesias.
E um tapinha nas costas
nada vale sem uma ação amiga:
não esqueçam do pão que sustenta
a cigarra que canta para a formiga.
sexta-feira, 15 de maio de 2020
Fiquem firmes
O vento vai dissipar as nuvens escuras no céu,
o povo vai acordar com as más notícias dos jornais,
o homem de sangue haverá de tombar,
os falsos profetas não enganarão mais,
o dinheiro já não comprará consciências,
a ignorância não é mais do que a ciência
e depois que passar essa pandemia,
se outra vier, que venha a da empatia.
domingo, 10 de maio de 2020
Feliz Dia das Mães
Uma vez um aluno me perguntou,
(um caso de reinserção social)
qual o melhor presente
que podia dar à sua mãe?
Eu respondi que havia muitas opções,
flores, mesmo colhidas do jardim,
um cartão, principalmente feito por suas mãos,
e que todo carinho deixa uma mãe feliz.
Só uma coisa ele tinha que evitar,
não há coisa mais triste
do que fazer uma mãe chorar.
Tempos depois eu o revi
e ele me disse com um sorriso:
- Olha, professor, eu segui o seu aviso.
sexta-feira, 17 de abril de 2020
Crônicas do futebol: casos engraçados

Mário Jardel Almeida Ribeiro nasceu em Fortaleza (CE), em 18 de
setembro de 1973, destacou-se na posição de atacante na
escolinha de futebol do Ferroviário (CE) e, logo, o Vasco da Gama (RJ) comprou o seu passe. Em 1992 estreou no time principal e foi, também, nos anos seguintes, astro do futebol por outros times nacionais e internacionais. Seu último time, antes de aposentar-se em
2011, foi o Rio Negro (AM). Após afastar-se dos gramados, resolveu se candidatar a deputado estadual pelo Rio Grande do Sul, foi eleito, mas antes do fim do mandato foi cassado. Melhor teria feito se continuasse no mundo dos esportes.
O jogador pode até negar, a gente
até compreende que ninguém gosta de ser vítima de invencionices, mas não há jeito
de mudar o rumo da história depois que
se cria a fama e os casos caem no gosto popular. A Jardel são atribuídas as seguintes
frases divertidas :
"Clássico é clássico e
vice-versa."
"Quando o jogo está a mil, a minha
naftalina sobe."
"Eu, Paulo Nunes e Dinho vamos
fazer uma dupla sertaneja."
“No
México que é bom. Lá a gente recebe semanalmente de 15 em 15 dias.”
“Que
interessante, aqui no Japão só tem carro importado!”
O caso das
dores de Jardel
Jardel
foi ao médico, quando jogava pelo time do Porto, reclamando de uma dor
generalizada: “Como é isso Jardel? “
“Doutor, o meu corpo todo dói. Onde eu ponho o dedo dói. Se boto o dedo na perna, dói. Se ponho o dedo na barriga, dói. O senhor sabe o que eu tenho? “
“Deixa eu ver a sua mão! Mas que coisa Jardel, você quebrou o dedo!”
“Doutor, o meu corpo todo dói. Onde eu ponho o dedo dói. Se boto o dedo na perna, dói. Se ponho o dedo na barriga, dói. O senhor sabe o que eu tenho? “
“Deixa eu ver a sua mão! Mas que coisa Jardel, você quebrou o dedo!”
O Diamante Negro
O carioca Leônidas da Silva brilhou no futebol brasileiro dos anos 1930-50 e ficou célebre por ser goleador e, principalmente, por ter inventado a jogada ‘da bicicleta’ que exige um alto grau de habilidade e agilidade física.
O craque ficou tão popular que, em 1938, a empresa de chocolates Lacta, num lance de genialidade de marketing, criou um novo bombom e batizou-o de ‘Diamante Negro’, o apelido carinhoso com que o povo o chamava. O jogador se tornou, então, um dos primeiros jogadores brasileiros a cobrar pelo uso da imagem em propagandas.
O tempo passou, o nosso herói veio a falecer em 2004, passou para a história do futebol, mas o chocolate que leva seu apelido continua popular e é um dos mais vendidos pela Lacta, até aos dias de hoje.
Gostaria de ver a empresa fazer um pequeno gesto de reconhecimento, explicando nas embalagens do bombom o histórico do “Diamante Negro”, para que as novas gerações tenham, também, o prazer de saber quem foi Leônidas da Silva.
O tempo passou, o nosso herói veio a falecer em 2004, passou para a história do futebol, mas o chocolate que leva seu apelido continua popular e é um dos mais vendidos pela Lacta, até aos dias de hoje.
Gostaria de ver a empresa fazer um pequeno gesto de reconhecimento, explicando nas embalagens do bombom o histórico do “Diamante Negro”, para que as novas gerações tenham, também, o prazer de saber quem foi Leônidas da Silva.
quinta-feira, 16 de abril de 2020
Poesia no futebol
Gosto muito de acompanhar os jogos de futebol pelas ondas radiofônicas. Mais do que o desenrolar da refrega esportiva, aprecio o colorido dos comentários e narrações feitas pelos radialistas. Gosto, principalmente, daqueles que esticam a liberdade de expressão para tentar descrever com palavras o que os olhos mal podem acreditar, são os narradores poetas.
Penso que isso se deve à minha infância na Praia da Fortaleza, em Ubatuba, uma vila de pescadores isolada até meados de 1970, lugar em que as notícias chegavam por rádios de pilhas que, aos domingos, ficavam zumbindo e narrando os feitos dos craques da época: Mané Garrincha, Didi, Manga, Pelé, Rivelino, Djalma Santos, Ademir da Guia e tantos outros.
É a mais pura poesia quando se ouve dizer que saída do vestiário é “boca do jacaré”, jogadores são chamados de “os protagonistas”, dirigentes são “cartolas”, a torcida é denominada de “milhares de não combatentes”, ou quando o choque de oponentes passa a ser “acidente de trabalho”.
Tem ainda muita criatividade e emoção, quando no calor das partidas, usa-se as expressões “Goleiro de mãos de folha de alface!” “Açougueiro na defesa!” “O arqueiro só caçou borboletas!” “A bola foi direto aonde dorme a coruja!” “Gol do meio da rua!” “Ao apagar das luzes!”
A torcida vai ao delírio! E eu vou junto!
É a mais pura poesia quando se ouve dizer que saída do vestiário é “boca do jacaré”, jogadores são chamados de “os protagonistas”, dirigentes são “cartolas”, a torcida é denominada de “milhares de não combatentes”, ou quando o choque de oponentes passa a ser “acidente de trabalho”.
Tem ainda muita criatividade e emoção, quando no calor das partidas, usa-se as expressões “Goleiro de mãos de folha de alface!” “Açougueiro na defesa!” “O arqueiro só caçou borboletas!” “A bola foi direto aonde dorme a coruja!” “Gol do meio da rua!” “Ao apagar das luzes!”
A torcida vai ao delírio! E eu vou junto!
segunda-feira, 13 de abril de 2020
Boa Páscoa
domingo, 12 de abril de 2020
O amor vai salvar o mundo
Qualquer pai ou a mãe
gosta de um carinho dos filhos,
mesmo que seja através de cartões
do dia das mães ou dos pais,
com desenhos e borrões
de casas com janelas e portas tortas,
com uma chaminé soltando fumaça
- e a gente nem tem mais o fogão a lenha -
pessoas com pernas de palitos,
às vezes tem um gato
feito a partir do número oito,
cachorro é mais difícil de desenhar
e a mãe tem um imenso coração
sempre bem caprichado.
Com Deus também é assim,
o Amor quer ser amado.
mesmo que seja através de cartões
do dia das mães ou dos pais,
com desenhos e borrões
de casas com janelas e portas tortas,
com uma chaminé soltando fumaça
- e a gente nem tem mais o fogão a lenha -
pessoas com pernas de palitos,
às vezes tem um gato
feito a partir do número oito,
cachorro é mais difícil de desenhar
e a mãe tem um imenso coração
sempre bem caprichado.
Com Deus também é assim,
o Amor quer ser amado.
terça-feira, 7 de abril de 2020
Mil novecentos e antigamente

A nossa gente vivia assim:
fogão a lenha na cozinha,
crianças por todo lugar,
segredos na camarinha,
rádio de válvulas no aparador,
oratório na sala,
a morada de Nossso Senhor.
A nossa gente vivia assim:
a canoa fundeada no raso,
a rede preparada,
o espia a soprar no búzio,
o anzol na linha,
o espinhel na espera,
pois está chegando a tainha.
A nossa gente vivia assim:
um pouco de peixe,
um pouco de farinha de mandioca,
uma pitada de sal,
o tempero de um limão,
um tanto de coentro
e estava pronto o pirão.
A nossa gente vivia assim:
muitas bananeiras em volta de casa,
cana-de-açúcar, cafeeiros na capoeira,
coqueiros, cajueiros no quintal,
laranjeiras, rosas, mil-flores
e mais um pé de jasmim...
Ai, meu Deus, que saudades de mim!
Sonho de felicidade
Simeão de Jerusalém
sonhou que devia esperar
por quem ele não conhecia
e tomar em seus braços
o bebê que nos foi prometido
na antiga profecia.
Viva Jesus, José e Maria.
Viagem para longe
segunda-feira, 6 de abril de 2020
Poema para Thaís
Thaís mora em Boiçucanga,
é filha do Caramujo,
mas não gosta de viver na concha, não,
na verdade ela procura a luz e o calor
nas horas em que o Sol é mansinho
e, também, para ficar atenta
às notícias que o vento traz:
novas rosas se abrem na roseira,
alguém está preparando peixe para o almoço,
uma música que está tocando no rádio...
Gosta muito quando os passarinhos
vem contar fofocas uns para os outros
e fica prestando atenção.
Longe, lá em Ubatuba,
um professor a guarda no coração.
Obs: Thaís, desde o ano passado não consegue mais ver,
mas não permitiu que a doença lhe tirasse a alegria de viver.
sábado, 4 de abril de 2020
Fé em Deus
Deus existe porque mamãe falou
e a gente a obedecia em tudo,
ela sempre aconselhava a fazer orações
e eu, sempre com dúvidas em gramática,
pensava em orações, frases e períodos
e me atrapalhava todo, até que um dia,
em vez de oração, eu resolvi fazer poesia:
Deus, eu não o vejo,
nem o amor que não passa de abstração,
mas que existe na gentileza das árvores frutíferas ,
em mendigos que repartem o almoço com um cão,
na solidariedade dos botos com os náufragos,
em mamãe fazendo milagres
para não deixar faltar nada aos seus...
Meu Deus, o senhor é amor, Deus!
Parada obrigatória
A correria era tão grande,
casa-condução-trabalho-condução-casa,
que não nos importávamos com o corpo,
muito menos com a alma,
não tínhamos tempo para a família,
nem para sentir saudades,
já não dormíamos, apagávamo-nos.
E de tanto nos apagar
o corpo foi dando sinais,
o brilho dos olhos a falhar,
os ossos e músculos a doer,
o coração a disritmar,
o pulmão com muita tosse...
Isso é poesia? Antes fosse.
sexta-feira, 3 de abril de 2020
1970: trecho de notas sociais da Praia da Fortaleza
Hoje de manhã a rede do Zé Almiro
trouxe muitos cações, betaras, corvinas,
linguados, carapebas e robalos
e os parceiros na pescaria ganharam uma boa porção.
Dona Eugênia, capricha no coentro e no limão!
Tia Aninha manda avisar que não esqueçam
da novena na Capela de São João Batista
para pedir a Deus para vir nos abençoar
com abundância de peixe e farinha de mandioca,
ou depois não adianta choramingar.
O ônibus do Expresso Rodoviário Atlântico
trouxe de Santos, via São Paulo,
o Marcelino do Zé Almiro, que trouxe notícias
dos parentes que foram para a cidade grande,
mas, maior que tudo, são as saudades.
Oliveira Antero de Oliveira
está completando 45 anos de idade
e avisa que combinou com Nosso Senhor
que pretende viver mais 50 anos
e que isso não é papo de pescador.
Assinar:
Postagens (Atom)
















