com cheiro de capim orvalhado
às margens de caminhos
que nos ligam ao passado.
Gosto do discurso da trovoada
que de longe se anuncia
com o escarcéu que faz
e nos permite escapar
para o aconchego e a paz.
Gosto do ritmo da chuva
nas folhas das bananeiras;
gosto de fins de semanas,
detesto as segundas-feiras.
Sintonizo sempre nas palavras,
cantadas ou não,
dos passarinhos das matas,
e nem precisam ser
iguais à corrupião.
Eu gosto de acordar
e ficar escutando os ruídos
do mundo que desperta:
o escachoar das ondas do mar,
os motores das traineiras
que partem para pescar...
Gosto da ventania
que bagunça os seus
cabelos
e a deixa com aparência desvairada...
de pessoa apaixonada.
Eu gosto de despertar e notar
que tudo continua no lugar,
o mundo girando para leste,
meu coração a bombordo
a bela adormecida, a boreste.
Amo as cores da saíra,
a dança do tangará,
o gosto do caqui,
as flores do manacá;
a alegria do boto,
o cheiro da tangerina,
a cor de seus olhos,
o rio que desce da serra.
Amo Deus que criou esses detalhes
só para enfeitar a Terra.