A mãe escutava o filho conversar com o coleguinha:
- Hoje não vou à escola, mamãe vai me levar ao ornitorrinco!
- Otorrino, Victor, vou levá-lo ao otorrinolaringologista!
- Ah, mãe, não foi isso que entendi. Então não quero ir!
A mãe escutava o filho conversar com o coleguinha:
- Hoje não vou à escola, mamãe vai me levar ao ornitorrinco!
- Otorrino, Victor, vou levá-lo ao otorrinolaringologista!
- Ah, mãe, não foi isso que entendi. Então não quero ir!
A mãe quis saber aonde o menino tinha ido.
- Fui espiar o mar, mamãe.
- E o que mais?
- Mais nada. Só espiar já foi suficiente.
Ela pensou: "Esse menino é peculiar."
E passou o resto do dia contente.
Todos os dias, quando acorda,
Beatriz penteia os cabelos,
exceto naquele sábado.
- Ué, menina, vai ficar assim toda desguedelhada?
(desguedelhada é uma palavra muito usada pelas vovós,
em especial, aquelas de Minas Gerais).
- Hoje é trabalho perdido, vovó.
Daqui a pouco vou soltar pipa;
pois escuta só que beleza de vento bagunceiro,
despenteando até folhas de coqueiro!
Na aula de ciências,
as crianças da sétima série viajaram pelo sistema solar.
A prô Dani mostrou o vídeo da Terra girando,
com a lua e os planetas rodopiando também,
e até o Sol em um giro sem fim.
No melhor da aula, Marquinhos sentiu um mal-estar.
- O que lhe aconteceu, menino? Perguntou a professora.
- Ai, estou passando mal...
a culpa é de tanta rotação e translação,
acho que não sirvo para ser viajante espacial.
de caiar o céu de outono,
formando, primeiramente, as nuvens cirros,
mais altas que os aviões de carreira.
Nuvens tênues, brancas como bandeiras de paz,
mas que, por isso mesmo, já antecipam a luta
das massas de ar nos choques frontais.
Por enquanto, o vento aqui embaixo é aragem,
as folhagens se agitam parecendo festejar,
os pássaros cantam qualquer bobagem
e há uma sensação boa de liberdade no ar.
Algumas crianças saíram às ruas
e aproveitam para brincar em plena era cibernética,
sem ligar para que o vento pinta ou borda
na imensa tela azul atmosférica.
Zé abriu a porta, que rangeu, e perguntou:
— Vou à
cidade, mulher. Precisa de algo?
— Óleo lubrificante! Não aguento mais esta porta
rangendo!
E uma
vozinha veio lá do quarto:
— E também
para lubrificar o tucano! Ele range igual a uma dobradiça
enferrujada!
O pai corrigiu: — A vocalização do tucano, filhinha, é grasnar, não ranger!
Nesse
momento, escutou-se o nheeeeeec do tucano nas árvores, ao fundo do terreno.
— Escuta
só, pai! — E a menina pôs-se a rir, até a barriga doer.
Sir Newton, explique a lei da gravidade para a lagartixa,
pois parece que ela não entendeu nada:
olha ela subindo a parede,
agora está pendurada no teto,
olha ela dando risadas...
Sir Newton, me diga se isso está certo!
Monsieur Bernoulli, diga ao besouro
que ele não pode voar - não pode!
E que, pelos princípios da aerodinâmica,
seu destino é rastejar no chão;
e, nunquinha, nanja, negativo,
jamais poderia alçar voo melhor que um avião.
Dominus Arquimedes, o lagarto-basilisco,
de novo, está fazendo subversão;
a sua lei diz que o mais pesado não pode flutuar,
mas o bicho - oh, nem te ligo! -
corre sobre o lago sem afundar.
Para onde ia, Vovó Martinha levava presentinhos:
geralmente, ramalhetes ou mudas de flores.
Ela gostava muito de rosas, margaridinhas,
lírios de todas as cores e tinhorões psicodélicos.
Um dia ela chegou com uma planta maravilhosa:
a veludo-roxo, que na verdade é furta-cor.
E sempre dizia: - Trouxe um presente para vós!
Esse era o seu jeito de demonstrar amor.
para uma só planta em seu jardim,
escolha o malvavisco-de-flores-vermelhas,
que oferta néctar em abundância.
Além das flores, seus olhos terão satisfação
na delicada elegância de beija-flores e mariquitas,
e com a beleza das borboletas de todas as cores.
Ou seja: o malvavisco é uma planta superstar
com muitos tietes a lhe rodear.
Tem gente que se acha afortunada por ter
meia dúzia de espécie de flores no jardim;
imagina, então, a riqueza de Vovó Eugênia com:
margarida, azevinho, helicônia, samambaia,
antúrio, begônia, lírio, dracena,
hibisco, coração-sangrento, marianinha,
rosa-louca, tumbérgia, jasmim, alecrim,
filodendro, alegria-dos-jardins, mariquinha-da-serra,
estrelitzia, flor-borboleta, coromandel, caliandra,
orelha-de-onça, primavera, manacá, resedá,
mil-cores, campânula, amapola, bela-manhã,
amor perfeito, centáurea, amarílis, flor-de-lis,
orquídeas, cananga-do-japão, costela-de-adão...
Ah, Paula, filha querida, se eu tivesse a vivência de hoje, seu nome de batismo seria:
Paula Nadina Bela-Emília Sálvia Amapola Verônica Angélica Cravina Íris Violeta Rosa Margarida Hortênsia Petúnia Dália Vanda Açucena Zínia Verbena Orquídea Camélia Félix dos Santos.
mesmo que estivesse jogando futebol,
eu voltava para casa:
era a hora da panambi, a borboleta azul.
Ela vinha borboleteando da mata
e, se ficássemos quietinhos,
chegava bem perto da gente.
Via que estava tudo em paz,
pousava nas flores do quintal,
descansava um tanto, bem à vontade,
e depois partia, muito lepidóptera.
Mas retornava no dia seguinte, bem pontual.
Gosto tanto das tardes de outono
que até dá vontade de ficar doidinho
e sair por aí pintando as folhas secas,
só para reverdecê-las
e retardar o início do inverno.
Se eu fosse um peixinho do Rio Indaiá,
eu ficaria mareado, eu ficaria enjoado
de tanto ser jogado para lá e para cá.
Eu iria me mudar, iria migrar
para o fundo do mar.
Se o mar não tivesse lugar para mim,
então eu seria o novo peixinho dourado
no aquário tranquilo e bem cuidado
da menina dos cabelos cacheados.
.
Vovó
Eugênia foi uma jardineira de mãos cheias,
que
plantou margaridinhas, flores-de-maio,
campânulas,
lágrimas-de-cristo e flor-do-japão;
cultivou a mil-cores, da folhagem
em todos os tons de verde, branco e rosa.
Seus canteiros de flores atraíam as abelhas,
borboletas, mariquitas, colibris e a mim.
Quando
chegávamos ao seu quintal,
primeiramente
cheirávamos todas as rosas e jasmins
Entreguei o binóculo para Paula e disse:
- Olha para o mar e veja se tem
peixe pulando, ou baleia saltando, ou tartaruga boiando...
Ela olhou para uma direção, depois para outra,
e balançou a cabeça:
- Para facilitar para a gente,
bem que eles podiam ter cor fosforescente.
Prefiro fogão a gás,
geladeira elétrica
e lâmpada de Édison.
Quem discordar que vá rachar lenha,
salgar peixe
e cheirar fumaça de querosene.
Muito antigamente, eu tive uma vovó
que ensinou para seus filhos, que passaram adiante,
que o jeito certo de criar crianças
é com alimento na barriguinha e muito carinho.
Que a meninada deve brincar
e, ao mesmo tempo, aprender:
nomes de bichos, plantas, lugares;
remédios feitos de ervas e orações;
técnicas certas de plantar, caçar, pescar...
Eu tive uma avó que foi apresada e batizada de Dina,
mas o correto seria Flor da Praia - Poty Rebembeybá.
Ela foi uma sobrevivente do povo Tupinambá.