Hoje o vento começou seu trabalho
de caiar o céu de outono,
formando, primeiramente, as nuvens cirros,
mais altas que os aviões de carreira.
Nuvens tênues, brancas como bandeiras de paz,
mas que, por isso mesmo, já antecipam a luta
entre massas de ar em choques frontais.
Por enquanto, o vento aqui embaixo é aragem,
as folhagens se agitam parecendo festejar,
os pássaros cantam qualquer bobagem
e há uma sensação boa de liberdade no ar.
Algumas crianças saíram às ruas
e aproveitam para brincar em plena era cibernética,
não se importando se o vento pinta ou borda,
na imensa tela azul atmosférica.