domingo, 11 de maio de 2025
Substantivos coletivos
quinta-feira, 8 de maio de 2025
Palavras bonitas
Escrevo o seu nome, Ana Maria,
entre todas as palavras bonitas
que vêm na lembrança,
escrevo o seu nome
na esperança que seja cantada
pelo coral das aves canoras
ao anunciar a alvorada,
repetida por todas as criaturas,
mais os anjos em epifania
Cantando seu nome, Ana Maria.
Caçador de palavras
Para caçar palavras é preciso arrumar os apetrechos,
papel, lápis ou caneta,
reler os autores preferidos
para afiar a inspiração,
olhar o ambiente, sentir o clima,
não buscar qualquer uma,
tem que ser a que dá rima,
ou que faz pensar, ou que causa emoção,
algumas delas estão no ar,
outras, ao rés do chão.
Caçar palavras também é um ofício,
e, na minha opinião, muito difícil.
Uma bola, uma bicicleta, um brinquedo de armar
Uma bola, uma bicicleta, um brinquedo de armar
são as coisas mais importantes para uma criança.
Depois vem a adolescência, a escola,
os livros, a curiosidade,
a vida adulta, o trabalho, a complexidade,
portas se abrem, outras são forçadas,
acontece o vai e vem de pessoas,
algumas menos, outra mais amadas.
momentos para esquecer, outros para relembrar
a beleza da simplicidade da vida
do tempo da bola, bicicleta, brinquedo de armar...
terça-feira, 6 de maio de 2025
Esperanças
O planeta mal pode esperar:
Criança aprendendo a andar,
passarinho aprendendo a voar,
filhote de peixe migrando para o mar,
anjo da guarda novato aprendendo a guardar,
futuro artista a se exercitar
e a humanidade custando a se irmanar.
sábado, 3 de maio de 2025
Vida caiçara
O tempo de trabalhar se confundia com o tempo de se divertir,
o tempo de exercitar era o mesmo de caçar e pescar.
e ninguém era néscio de enfrentar
chuva forte ou sol escaldante,
Até as pessoas mais simples
tinham tempo para aprender a arte
de tocar viola ou violão,
dançar conforme a música
ao compor uma canção.
quinta-feira, 1 de maio de 2025
Assim na terra como no céu.
O vento forte arrebentou a linha
e fez a pipa rodopiar, elevar-se
e sumir entre as as nuvens.
O menino ficou olhando até ficar com torcicolo,
mas não ficou triste porque, na verdade,
é bom que se arrebente tudo o que prende
e atrapalha a liberdade.
domingo, 30 de março de 2025
Deus abençoa essa barafunda
A casa mais feliz do mundo
tem ursinhos de pelúcia,
bolas de futebol,
balanço no quintal,
criança que grita,
um monte de gibi,
uma avozinha que ri,
cachorro que late,
pão com manteiga
e leite com chocolate.
sábado, 29 de março de 2025
Não perca a esperança
terça-feira, 18 de março de 2025
Primeiras leituras
Primeira leitura de Paulinha
ao ver uma placa pendurada
na beira da estrada:
- O nome daquela árvore é manicure, papai?
quinta-feira, 6 de março de 2025
Estou preocupado
A fedentina do fascismo está contaminando as pessoas
na Argentina, EUA, Alemanha, Brasil...
bomba do fim do mundo explode na Ucrânia,
tambores de guerra ecoam na Grã-Bretanha.
O Papa está muito doente,
abutres torcem pelo pior,
ignorantes disseminam o ódio
e crucificam o que é amor,
A Antártica está derretendo,
UV extremo na cabeça,
agroboys tocam fogo na Amazônia,
lá fora quarenta graus,
haverá quem ame o povo ianomâmi?
... a profecia vai se cumprindo,
a sétima trombeta ressoa no planeta.
terça-feira, 4 de fevereiro de 2025
Não custa nada
Opinião de Carlinhos de Almeida,
palmeirense sem remédio,
após mais uma crise do escrete nacional:
- É preciso acabar com essa história de
presentear com aparelhos eletrônicos
e dar mais bolas para as crianças
jogarem futebol de manhã, de tarde e de noite.
para o bem da pátria amada
e isso não custará quase nada.
A pátria de chuteiras
Após as memoráveis partidas de ludopédio,
os melhores técnicos e técnicas se reúnem
nos bares, botecos ou biroscas
de todas as cidades do país
e se põem a analisar estratégias e resultados:
Alguém fez cera? Teve fintas ou firulas?
Aconteceu zebra? Alguém marcou contra o patrimônio?
Muita catimba ou jogo nervoso?
Gol chorado ou golaço?
Só não pode pisar na bola
e o resto é correr para o abraço.
sábado, 1 de fevereiro de 2025
Qualquer dia eu apareço
Velhas amizades, rostos conhecidos,
lembranças antigas, músicas revisitadas,
notícias atualizadas, adeus, até breve,
retorno com passos lentos,
a estrada ainda é longa
e levo uma carga de sentimentos.
terça-feira, 14 de janeiro de 2025
Pés no chão
Vovó
cultivava rosas,
jasmins,
helicônias etc.
Vovô
plantava feijão, aipim,
muitas
variedades de bananas
e
resmungava:
Não se come flor, mulher!
Vovó ria continuava a plantar
jasmins,
gerânios, flor-de-lis,
borboletas,
abelhas e colibris.
domingo, 12 de janeiro de 2025
Quem ama, cuida.
A Terra nos transporta,
mas também o levamos no corpo:
cálcio nos ossos, ferro no sangue,
desde antes de sermos modernos,
desde antes de sermos neandertais,
mais oxigênio nas células,
fósforo, zinco e sais minerais.
Intempéries nos cabelos
terça-feira, 10 de dezembro de 2024
Coisa à toa
Bem-te-vi é passarinho à toa
que vive na roça e na cidade,
no litoral e no interior do Brasil,
que ao ver os homens loucos
a atearem fogo na mata
logo dá aviso: bem que vi!
Ao ver os idiotas a jogarem lixo nos rios,
logo grita: bem te vi!
Com a destruição dos manguezais
o passarinho se entristece mais:
Quem que viu? Quem que viu?
Bem-te-vi, Chico Mendes, Dorothy Stang...
quem que os ouviu?
sexta-feira, 8 de novembro de 2024
Sentimentos e Nascimentos
Meu povo que era parceiro da alegria,
que sabia todas as danças,
tocava instrumentos musicais
e bailava com a esperança,
meu povo foi agrilhoado,
condenado a viver no submundo
e a carregar a carga do mundo.
Castigaram seu corpo
e tentaram apagar a chama da alma,
mas continua a resistência na ginga da dança
e na música com sentimento:
Viva Alcione, Gil, Sandra Sá,
Viva Elza Soares e Milton Nascimento!
terça-feira, 5 de novembro de 2024
Trecho da história colonial
Além das montanhas, meus amigos, minhas amigas,
havia planaltos com matas e rios cheios de vida,
terras boas, terras que já tinham donos
- os primeiros filhos deste país -
que viviam da generosidade da natureza
colhendo os frutos das árvores, caçando os bichos do mato,
pescando os peixes de rios e lagos.
Além das montanhas, meus amigos,
tinha gente muito valente
que sabia manejar o arco e flecha, a lança
que nada valia contra bombarda e carabina,
além das montanhas, meus amigos e amigas,
foi grande a chacina.




