No quintal tem uma gostosa confusão
de latidos, cacarejos, grasnidos de bichos,
risos e gritos de crianças no quintal
que, logo, vão para a escola,
então haverá uma trégua
e a rotina voltará a ser sossegada
neste pedaço da pátria amada.
No quintal tem uma gostosa confusão
de latidos, cacarejos, grasnidos de bichos,
risos e gritos de crianças no quintal
que, logo, vão para a escola,
então haverá uma trégua
e a rotina voltará a ser sossegada
neste pedaço da pátria amada.
Quem conhece os nomes dos ventos,
e as mensagens que eles trazem?
Eu sei, por exemplo, que o vento sul
anuncia o frio para nossas praias
e, sendo tempo ruim para pescar,
eu vou para casa namorar,
Pois os ventos são muitos, o barco é um só;
os rumos são variados, o leme é um só;
os perigos são diversos e a vida é uma só.
Ainda está escuro,
mas a estrela d'Alva já apareceu
e sei que logo o Sol vai nascer,
a claridade vai se espalhar
e todas as intenções vão se revelar.
Há aqueles que abraçam
e outros que afastam-se;
Tem gente coerente cem por cento
e outros só palavras ao vento;
Tem quem acende a luz, viu bela,
e outros que sopram a vela.
Na casa de meus avôs tinha um rio tagarela
que contava histórias naturais
escachoando entre as pedras,
na Praia da Fortaleza.
Quem nada compreendia
dizia que era só rumor de correnteza.
Antigamente o mundo era imenso
e as jornadas de um dia inteiro de viagem
levava a 50 km de distância
de Ubatuba a São Luiz, de São Luiz a Taubaté,
de Taubaté a Guaratinguetá
e assim a terra dos bugres ia se enchendo de Pouso Alto,
Passa Quatro, Pouso Alegre,
Bairro do Registro, Fazenda do Tropeiro...
Nas costas das mulas é que se fez o país inteiro.
Quem ousa dizer a verdade na era das fake news?
Quem diante do ódio toma o partido do amor?
Quem abriga a semente da vida no íntimo do coração?
Quem fala de paz em tempos de guerra?
Quem vai abraçar uma irmã ou um irmão feridos pela solidão?
Quem no meio da escuridão ousa acender uma luz
igual o faz Júlio Lancelotti, digno sacerdote de Jesus?
A gente não parou mais
desde que nossos antepassados
nos longínquos planaltos da África
começaram a andar,
logo passaram a cavalgar, navegar,
pedalar e, por fim, voar,
cada vez mais rápido,
até ficar no esquecimento o tempo de caminhar.
Enquanto alguns perguntam qual é o sentido da vida,
Monet foi lá e pintou,
Mandela foi lá e lutou,
Malala foi lá e enfrentou,
Clarice Lispector foi lá e escreveu,
São Francisco foi lá e abraçou,
Cada um achou o caminho seu.
Antigamente, muito antigamente,
o mundo era mais feio e com menos cores
porque não existiam as flores.
Logo, era um mundo sem colibris,
sem borboletas e sem abelhas bebendo néctar,
nem valia a pena passear por aqui.
Mas agora tem rosas, margaridas,
jasmins, onze horas, hibiscos,
plantas cheias de cor e aroma
e mais árvores de pão do céu: Theobroma.
É bom para a saúde do corpo e da mente:
Proteínas, vitaminas, mar, rios, músicas, matas, amizades, amor latu sensu
e amor de intimidade... e o que mais? Ah, sais minerais.
,
João-de-barro, sem-fim, papagaio-de-peito-roxo, saudade, tiziu, curió, gavião-pombo, gavião-marrom, carcará, urubu-rei, azulão-da-serra, sanhaço, gralha, saíra, tico-tico, andorinha, jacu, canário-da-terra, coleirinha, bigodinho, tesourinha, pintassilgo, periquito, pica-pau, tucano, seriema, sabiá, saí, quero-quero bem te ver, bem-te-vi.
Palavras são roupas que vestem coisas e seres,
algumas palavras caem bem,
por exemplo, a palavra água é líquida e certa;
o nome da pedra estava no meio do caminho;
a luz é brilhante desde sempre
e bem nomeada foi a ave-passarinho.
Mas há palavras que não combinam
como vespa para mamangava,
escaravelho para besouro,
e qual o nome para baixinho? Ah, não!
Aos finais de semana de antigamente
com banho tomado,
perfume para ficar cheiroso,
dinheirinho no bolso,
pente para ajeitar os cabelos,
palavras tiradas de poemas e canções de amor
e atiradas ao vento,
mas com muito sentimento.
Não sabe nada de mar
quem confunde água-viva (jellyfish)
ou estrela-do-mar (starfish) com peixes.
Só mesmo quem veio dos sertões,
iguais aos anglo-saxões.