sábado, 18 de maio de 2019
A poesia explica Deus
Ao evitar o corte da floresta, seu nome foi Chico Mendes;
na defesa da igualdade para todas as pessoas, ele foi Nelson Mandela;
ao salvar muitos judeus, se chamou Raoul Wallenberg e,
pelo direito de viver e estudar, tornou-se Malala Yousafzai.
Onde a ciência não alcança e a teologia fica aquém,
a poesia foi além e encontrou Deus,
ele é o amor que ousa enfrentar o ódio:
preconceitos, não!
ele é a sanidade que corrige a loucura:
capitalismo selvagem, não!
ele é a vida que venceu a morte:
armamentismo, não!
sábado, 4 de maio de 2019
Seres do mar
Cora, Coralina, corais,
aqui tinha quelônios, equinodermos, peixes,
saudades dos manguezais.
quando retornarão os moluscos, crustáceos,
saudades dos cetáceos.
Meu avô deu uma pancada de remo no boitatá
e voou faísca para todo lado,
Manuel, ó Bandeira,
nesta terra sem eira, nem beira,
havia seres naturais e sobrenaturais,
saudades dos seres das madrugadas e dos madrigais.
aqui tinha quelônios, equinodermos, peixes,
saudades dos manguezais.
quando retornarão os moluscos, crustáceos,
saudades dos cetáceos.
Meu avô deu uma pancada de remo no boitatá
e voou faísca para todo lado,
Manuel, ó Bandeira,
nesta terra sem eira, nem beira,
havia seres naturais e sobrenaturais,
saudades dos seres das madrugadas e dos madrigais.
domingo, 21 de abril de 2019
Além dos limites

No breu.
No breu da noite nublada no mar de fora, sem bússola, sem visão do litoral, sem solução, com risco de morrer pagão.
No breu da noite nublada no mar de fora, sem visão do litoral, sem solução, com risco de morrer pagão, em quase desespero, rogue a Deus que se abram as nuvens para mostrar o setestrelo.
No breu da noite nublada no mar de fora, sem visão do litoral, sem solução, com risco de morrer pagão, em quase desespero, peça a Deus que se abram as nuvens para mostrar o setestrelo, para achar o rumo do porto de Ubatuba, para a capela de Nossa Senhora do Itaguá, onde se entoa a ladainha pedindo proteção para todos os desventurados.
No breu da noite nublada no mar de fora, sem visão do litoral, sem solução, com risco de morrer pagão, em quase desespero, peça a Deus que se abram as nuvens para mostrar o setestrelo, para achar o rumo do porto de Ubatuba, para a capela de Nossa Senhora do Itaguá, onde se entoa a ladainha pedindo proteção para todos os desventurados que erraram em navegar muito longe da segurança, muito perto do perigo; muito perto do abismo, muito longe da esperança.
Princípios

O importante é saber bem as origens,
é conhecer a própria história
e a maioria dos brasis
misturam senzalas, aldeias e caravelas,
minha família entre elas.
Quem ataca minhas raízes é meu inimigo,
quem propaga o amor como solução
é minha irmã, é meu irmão.
Eu aprendi com meu avô que,
mais importante que remar,
é saber se orientar.
sábado, 20 de abril de 2019
Resistência
Guaruçá é caranguejo das praias,
tatu é bicho dos morros.
Eu nasci guaruçá, perdi minha toca
e hoje moro no sopé da serra,
mas me recuso a ser tatu
e vou fazendo versos após versos
com casos dos pescadores e do mar.
Mas, o que eu queria, mesmo, é ser carapirá,
um tanto da terra, um tanto do céu e o resto é mar.
terça-feira, 16 de abril de 2019
quinta-feira, 11 de abril de 2019
Companhia para a estrada
Se é para pôr os pés na estrada,
eu quero ir em boa companhia
com gente que ama a natureza,
que enxuga o rosto de Jesus,
que canta as músicas
de Chico, Milton e Caetano,
que vota na esquerda,
que escreve recadinhos assim:
"Fui na casa de Ana C,
deixe um pedaço de torta para mim."
Peixe-palavra
Construir um poema é o contrário
de pescar com uma rede de malhas grandes,
as palavras retêm no papel
uma pequena parte das ideias
e deixam escapar os grandes peixes,
os mais vistosos e vivazes,
que atravessam a frágil rede da memória
e retornam ao imenso mar de fora.
terça-feira, 9 de abril de 2019
domingo, 7 de abril de 2019
Lágrimas do jubarte
Tio Chico pescador
pescando no mar virado,
viu lágrimas nos olhos
da baleia jubarte
no exato momento em que ela espiava
o que restou dos manguezais
das praia de Ubatuba.
Onde o robalo vai se reproduzir?
Em que lugar a vida vai resistir?
Onde a tainha vai desovar?
De onde virá o peixe
para o Senhor Jesus multiplicar?
domingo, 31 de março de 2019
Letra minha, música do Régis: amar o mar
Vamos caminhar pelas praias
vamos com esperanças
de ver as marcas dos viventes:
pássaros, siris, crianças.
Vamos caminhar de mãos dadas
vamos espiar as lembranças
dos antigos senhores do mar
lançando a rede para pescar.
Seja minha companhia
dê-me apoio e coragem
quero ver o manguezal
onde mar e vida interagem.
Vamos abrir um novo caminho
vamos tocar as ondas
vamos ousar, vamos amar o mar.
sábado, 30 de março de 2019
Outras riquezas
Na praia da Fortaleza
o Dario pescador é
mestre da viola
e seu filho Elias faz
o cavaquinho chorar,
Maneco Almiro do
canto da praia
aprendeu sozinho a
tocar rabeca
para ser um astro da
folia de reis
e o cego Doquinha tem
pão e pouso
em troca de modinhas.
A gente é pobre,
o lugar é acanhado,
a alma é rica,
o coração
desmesurado.
sábado, 16 de março de 2019
Fernando e outras pessoas
Quem vive entre livros nunca fica na solidão,
por exemplo, só eu e Fernando Pessoa
já somos quase uma multidão.
sexta-feira, 8 de março de 2019
8 de março
Menina pode usar rosa, branco,
preto, vermelho, amarelo
ou nenhuma das alternativas,
só não quer ser
classificada ou crucificada
pela hipocrisia da ministra sinistra
ou dos "homens de bem":
ninguém larga a mão de ninguém!
terça-feira, 5 de março de 2019
Grafite
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