Meu avô era rico com três canoas de madeira de lei
e uma rede de arrastar curtida
na casca da aroeira
pra não se estragar.
Uma vez por semana tocava o
búzio
chamando companhia pra
participar da pescaria.
A rede era arriada distante
algumas centenas de metros e
quando a canoa aportava,
homens, mulheres e crianças puxavam
os cabos.
Os mais velhos, ao
experimentar o peso da rede,
com antecedência se riam ou se
lamentavam.
Mas sempre tinha peixes bons,
estrelas do mar, tartarugas,
peixe-elétrico,
caranguejos, camarões,
baiacus para coçar a barriga
só pra vê-los indignados
encherem-se como balões.
Nós que éramos pequeninos
tínhamos a tarefa de salvar os
filhotinhos
devolvendo-os às ondas.
Ao fim do trabalho procedia-se
à partilha
da mistura para os próximos
dias.
Todo dia de pescaria era dia
de se maravilhar,
porque a rede sempre trazia surpresas
do fundo mar.
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