quarta-feira, 31 de maio de 2023

Poemas da terra



O que era uma landa antiga
nas posses de meu avô,
virou um extenso bananal
plantado e cuidado por mãos calosas
que a tudo abençoam e santificam,
filhos, netos, bananas prata,
ouro, da terra e nanica.

domingo, 7 de maio de 2023

Poema para Padre Júlio


Quem ousa dizer a verdade na era das fake news?

Quem diante do ódio toma o partido do amor?

Quem abriga a semente da vida no íntimo do coração?

Quem fala de paz em tempos de guerra?

Quem vai abraçar uma irmã ou um irmão feridos pela solidão?

Quem no meio da escuridão ousa acender uma luz

igual o faz Júlio Lancelotti, digno sacerdote de Jesus?

sábado, 6 de maio de 2023

Pé na estrada

 


A gente não parou mais

desde que nossos antepassados

nos longínquos planaltos da África

começaram a andar,

logo passaram a cavalgar, navegar,

pedalar e, por fim, voar,

cada vez mais rápido,

até ficar no esquecimento o  tempo de caminhar.


segunda-feira, 27 de fevereiro de 2023

Poeminha de infância


Não me lembro dos frios de antigamente,
só me recordo do calor do carinho de mãe
que fazia mágicas para nos agasalhar
com blusas que iam passando
dos maiores para os menores
até ficarem irremediavelmente inservíveis,
exceto para a caminha do cachorro de casa:
carinho e calor são bens fungíveis.

sábado, 4 de fevereiro de 2023

Sentido da vida

Enquanto alguns perguntam qual é o sentido da vida,

Monet foi lá e pintou,

Mandela foi lá e lutou,

Malala foi lá e enfrentou,

Clarice Lispector foi lá e escreveu,

São Francisco foi lá e abraçou,

Cada um achou o caminho seu. 

segunda-feira, 30 de janeiro de 2023

Theobroma


Antigamente, muito antigamente,

o mundo era mais feio e com menos cores

porque não existiam as flores.

Logo, era um mundo sem colibris, 

sem borboletas e sem abelhas bebendo néctar,

nem valia a pena passear por aqui.

Mas agora tem rosas, margaridas,

jasmins, onze horas, hibiscos,

plantas cheias de cor e aroma

e mais árvores de pão do céu: Theobroma.





quinta-feira, 26 de janeiro de 2023

Poema para Pomme


Às vezes o vento é tormenta,
não dê bola,
pois só alardeia barulho e confusão.
Outras vezes o vento é brisa,
aqui sim, convém prestar atenção,
junto vêm trechos de conversas,
cantigas de passarinhos,
ecos de canções em melodias recém elaboradas
por jovens de bons gostos musicais
de encantar a gente e muito mais.

Vida saudável

 

É bom para a saúde do corpo e da mente:

Proteínas, vitaminas, mar, rios, músicas, matas, amizades, amor latu sensu

e amor de intimidade... e o que mais? Ah, sais minerais.

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Poesia pronta


João-de-barro, sem-fim, papagaio-de-peito-roxo, saudade, tiziu, curió, gavião-pombo, gavião-marrom, carcará, urubu-rei, azulão-da-serra, sanhaço, gralha, saíra, tico-tico, andorinha, jacu, canário-da-terra, coleirinha, bigodinho, tesourinha, pintassilgo, periquito, pica-pau, tucano, seriema, sabiá, saí, quero-quero bem te ver, bem-te-vi.

terça-feira, 24 de janeiro de 2023

Dos nomes

Palavras são roupas que vestem coisas e seres,

algumas palavras caem bem, 

por exemplo, a palavra água é líquida e certa;

o nome da pedra estava no meio do caminho;

a luz é brilhante desde sempre

e bem nomeada foi a ave-passarinho.

Mas há palavras que não combinam

como vespa para mamangava,

escaravelho para besouro,

e qual o nome para baixinho? Ah, não!

domingo, 22 de janeiro de 2023

Romantismo de pescador



Aos finais de semana de antigamente

com banho tomado,

perfume para ficar cheiroso,

dinheirinho no bolso,

pente para ajeitar os cabelos,

palavras tiradas de poemas e canções de amor

e atiradas ao vento,

mas com muito sentimento.



Coisa de caipira

Não sabe nada de mar

quem confunde água-viva (jellyfish)

ou estrela-do-mar (starfish) com peixes.

Só mesmo quem veio dos sertões,

iguais aos anglo-saxões.

domingo, 15 de janeiro de 2023

domingo, 8 de janeiro de 2023

Canta, Cantareira!



Na Serra da Cantareira o dia começa
com a  toada das cachoeiras,
com as folhas farfalhando,
com as araucárias e seus longos ramos
quais imensos castiçais
e os passarinhos perguntando:
- E vós por onde andais?




sábado, 7 de janeiro de 2023

Viva Ubachuva!


Em Ubatuba chove tanto
que foi promovida a Ubachuva
e eu acho é bom... bom para planta crescer
e ficar dentro de casa a ler e escrever,
bom para matar a sede do Atlântico
que perdeu muita água
logo ali na Namíbia e suas costas desérticas,
excelente para borrar as telas impressionistas
e torná-las mais poéticas.

domingo, 27 de novembro de 2022

Acorda, gente!


Entre bilhões e bilhões de galáxias,

cada uma com centenas de bilhões de estrelas,

cada estrela com seu grupo de planetas,

Deus escolheu justamente a Terra

para lar de Nossa Senhora e do Menino Jesus.

Terra e Jesus, ambos tão maltratados

por pessoas ávidas pelo dinheiro...

Onde encontrar outra casa?

Onde haverá tão bom conselheiro?





Censo 2022


No meu bairro tem 20 ruas,

cada rua tem 50 casas,

cada casa tem, em média,

duas crianças e um cachorro 

menos nos endereços das pessoas

que padecem, sem saber o porquê,

 de solidão ou depressão.




sábado, 26 de novembro de 2022

Sinais

 

A gente caiçara aprende a não abusar

e está sempre atento à direção que sopra o vento,

ao aviso barulhento das trovoadas,

às mensagens cantadas das aves

e, sobretudo, a mais delicada sensibilidade

de escutar os avisos dos anjos da guarda

que dão sempre três sinais

segundo os pais dos pais dos meus pais.




sábado, 19 de novembro de 2022

Para Aoi



Venha Aoi,

a gente vai pôr ordem

na bagunça do mundo

só para as crianças terem direito a:

bichinhos gato e cachorrinho

que, sem pilhas ou energia elétrica,

brincam e dão carinho;

admirar a árvore ipê

que despe a folhagem

para se vestir de ouro;

aprender com o beija-flor

a mágica de parar no ar;

entender que lagarta quando vira borboleta

ensina a lição da ressurreição;

ver para crer

que a bela adormecida verdadeira

está em Paris, na Rue du Bac,

e seu nome é Catarina Labouré.

E, para você, o que vale mais,

tem o cafuné de vovó Neide

e o amor dos pais.

segunda-feira, 14 de novembro de 2022

Aprendizado caiçara


A gente só sabia ler as nuvens,

acompanhar a direção dos ventos,

para perceber, antes que fosse tarde,

os sinais que anunciam a tempestade.

A gente só sabia os remédios do mato,

as sabedorias do tupinambá,

o jeito certo de conversar com Deus,

a tocar rabeca e viola,

essas e  tantas outras matérias

que não ensinam em nenhuma escola.

A gente só sabia fazer a embarcação,

costurar a rede e acordar de madrugada,

para surpreender os peixes,

a gente não sabia quase nada.